Artigos

Criacionismo Site

Além do Criacionismo e Evolucionismo – duas notas de Léon Denis.

Há décadas assistimos o embate entre Criacionistas e Evolucionistas, principalmente nos Estados Unidos e os confrontos em torno da educação infantil sobre o que deve ser introduzido para as crianças nos ciclos básicos – o homem criado como imagem e semelhança do criador ou o homem como produto inacabado de um processo biológico natural que se desenvolve às expensas de adaptação e adequação à chamada seleção natural?

Tanto o criacionismo quanto o evolucionismo não explicam o homem como um todo. Ambos os sistemas possuem graves falhas de origem, conceituais, e por isso são incapazes de uma visão abrangente do objeto em questão neste texto, o ser humano.

Em sendo o homem em sua dimensão biológica um produto acabado do Criador, é complicado perceber-se semelhanças biológicas com outras criaturas inferiores, a partir do genoma. Em partilhando o corpo biológico de semelhanças com outros seres, e não havendo monotonia na criação, as particularidades biológicas comuns não participariam ativamente da diversidade existente entre os seres. Outro aspecto curioso é que o Criador teria selecionado cuidadosamente pessoas para serem submetidas ao ambiente e com isso sofrerem de doenças relacionadas com o meio. Essas pessoas teriam modificações orgânicas decorrentes de uma ação intencional do Criador.

Tomando como exemplo a Anemia Falciforme, os “escolhidos” para essa doença seriam pobres coitados nas sociedades modernas, mas grandes privilegiados nos locais onde a malária endêmica dizimava populações, como em algumas regiões da África. E na atualidade, quando o desenvolvimento social pode alcançar todos os povos, tal doença não teria mais necessidade de existir.

Por outro lado, o evolucionismo deixa também a desejar. A seleção natural, amplificada após Darwin pelos modernos evolucionistas, não é capaz de explicar o desenvolvimento de características humanas, como a comunicação pela palavra e a formação da cultura. Por mais numerosas teorias recorrentes sobre o tema existam, pouco satisfazem à percepção lógica, além da necessidade de compreensão através da estreiteza de conceitos.

O mesmo se dá quando observa-se a evolução do cérebro e o surgir do chamado homem de Cro-Magnon, assim denominado pela descoberta arqueológica na região francesa do mesmo nome de esqueletos com crânios perfeitos de homens que se diferenciavam em muito do chamado homem de Neandertal. Os homens de Cro-Magnon, ou os fundadores de nossa conhecida humanidade, conviveram com os homens primitivos, ou neandertais, durante cerca de 100mil anos, porém, ao contrário daqueles, estabeleceram a agricultura, ritos e cultos elaborados, a cultura e a diversidade da fala.

Enfim, chegamos agora à necessária postulação de uma compreensão que não se limite ao criacionismo e nem ao evolucionismo. Uma compreensão que perceba que o homem, como conhecemos, distingue-se dos demais seres criados por ser desde seu princípio (humano) um ser espiritual, que interage decisivamente sobre sua biologia (corpo físico). Eis, em duas pequenas notas, o que propõe Léon Denis, em seu magistral “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”:

“A teoria da evolução deve ser completada pela da percussão, isto é, pela ação das potências invisíveis, que ativa e dirige esta lenta e prodigiosa marcha ascensional da vida do globo. O mundo oculto intervém, em certas épocas, no desenvolvimento físico da Humanidade, como intervém, no domínio intelectual e moral, pela revelação medianímica. Quando uma raça que chegou ao apogeu é seguida de uma nova raça, é racional acreditar que uma família superior de almas encarna entre os representantes da raça exausta para fazê-la subir um grau, renovando-a e moldando-a à sua imagem. É o eterno himeneu entre o céu e a Terra, a infinita penetração da matéria pelo espírito, a efusão crescente da vida psíquica na forma em evolução.”

E, em nota de rodapé a essa magnífica asserção, diz o nobre druida da Lorena: “Qualquer que seja a teoria a que se dê preferência nessas matérias, adotem-se as vistas de Darwin, de Spencer ou de Haeckel, não é possível crer-se que a Natureza, que Deus apenas tenha um só e único meio de produzir e desenvolver a vida. O cérebro humano é limitado; as possibilidades da vida são infinitas. Os pobres teoristas, que querem enclausurar toda a ciência biológica dentro dos estreitos limites de um sistema, fazem-nos sempre lembrar o menino da lenda, que queria meter toda a água do oceano num buraco feito na areia da praia. O professor Ch. Richet diretamente declarou na sua resposta a Sully-Prudhomme: “As teorias da seleção são insuficientes”. E nós acrescentaremos: “Se há unidade de plano, deve haver diversidade nos meios de execução. Deus é o grande artista que, dos contrastes sabe fazer resultar a harmonia. Parece que há no Universo duas imensas correntes de vida. Uma sobe do abismo pela animalidade; a outra desce das alturas divinas. Vão ambas ao encontro uma da outra para se unirem e se confundirem e mutuamente se atraírem. Não é essa a significação que tem a escada do sonho de Jacó?”

Jorge Cecílio Daher Jr. é médico endocrinologista do Hospital Geral de Goiânia, pesquisador clínico da RDM Pesquisas Médicas e médico do Hospital Espírita de Psiquiatria, Sanatório Espírita de Anápolis.

Leave a Reply

    No Twitter Messages.