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As doenças mentais são sempre vinculadas a problemas espirituais? Mesmo aquelas que têm substrato orgânico? Resposta do Espírito Dr. Bezerra de Menezes

l – Certamente, meus amigos, com algumas exceções. As exceções podem ser: fadiga mental, depressões nervosas ocasionadas por algum fator patológico, impurezas do sangue, sífilis e outras de fácil verificação. A própria loucura de origem alcoólica poderá ter causa espiritual, visto que o alcoólatra poderá ser um obsidiado, ou atrair afins espirituais que lhe compliquem os distúrbios. Todavia, nem todas as doenças mentais têm origem na obsessão, embora sejam de origem psíquica. O mundo espiritual é intensíssimo e os homens estão longe de compreender sua intensidade. Por sua vez, o ser psíquico, o perispírito inclusive, e, acima de tudo, a mente, são potências inimagináveis para os homens. Assim sendo, os sentimentos de um desencarnado atingirão intensidades indescritíveis se esse ser não for bastante equilibrado, ou evoluído, para dirigi-las normalmente. A fim de compreendermos o que se seguirá, porém, devemos ter em mente que o perispírito é ligado ao corpo físico, na encarnação, pela rede de vibrações nervosas, e a este dirige como potência equilibradora. O remorso, por exemplo, que é um dos mais avassaladores sentimentos, e que, no estado de desencarnação de um Espírito, chegará a enlouquece-lo, poderá levar o Espírito a reencarnar em estado vibratório precário, por excitado, deprimido, alucinado, desesperado etc. E, assim sendo, ele carreará para o corpo que habitar predisposições para acentuado desequilíbrio nervoso, intoxicações magnéticas que mais tarde redundarão em doença mental, onde até visões (do passado em que delinquiu) existirão, ao choque de uma possível fadiga mental, de uma emoção forte ou até de excessos de qualquer natureza, inclusive o excesso sexual e até o alimentar. Seu aspecto será o de um obsidiado. No entanto, ele é obsidiado apenas por sua ‘memória profunda’, que vinculou sua personalidade humana. Se houve remorso, houve crime, delinquência. E, se houve crime, a consciência, desarmonizada consigo mesma, desarmonizará todo o ser, e de muitas formas. A mente enferma refletirá sua anormalidade sobre o perispírito, que é dirigido por ela, e este sobre o corpo carnal, que é escravo de ambos, pelo sistema nervoso. E eis aí a doença mental com substrato orgânico vinculada a problemas espirituais, mas não propriamente a obsessão na sua feição comum. Se se tratar desse paciente, pelas vias espíritas comuns, é provável que ele não se recupere, ou pelo menos que não se recupere com facilidade, visto que não existe um obsessor propriamente dito. E se se evocar um obsessor, insistindo na atração, facultar-se-á a possibilidade da comunicação do próprio Espírito do suposto obsidiado, que será atingido pelas correntes vibratórias atrativas, cairá como que em transe, adormecerá e dará a comunicação. Referir-se-á a ele, isto é, ao corpo que ocupa como se se tratasse de outra personalidade, pois é sabido que o Espírito de um vivo, se se comunica em sessões de experimentações, refere-se ao próprio corpo usando a terceira pessoa do singular. Se tais tentativas forem bem planejadas e aplicadas, o tratamento beneficiará o comunicante, visto que ele terá sido doutrinado, evangelizado, instruído, consolado etc., pois tal tratamento é usado no mundo invisível para encarnados sofredores e desequilibrados, com muito bons resultados. Se o instrutor encarnado, porém, durante a comunicação, entrar a supô-lo um obsessor desencarnado e procurar convencê-lo de tal, com assertivas que não se amoldem ao caso, confundirá o comunicante, e ele se retirará assaz desgostoso e desorientado. Assim, pois, para evitar tal contratempo, convém que os dirigentes das sessões conheçam bastante o terreno em que estão agindo, que disponham de médiuns assaz seguros para transmitirem as instruções dos dirigentes espirituais, indicando as tentativas a serem feitas. As sessões de estudo doutrinário serão de grande utilidade para tais casos, se o paciente estiver em condições de frequentá-las.

2 – Um suicida poderá renascer em deplorável estado mental (psíquicofísico), cujos distúrbios, as mais das vezes, crescerão diariamente, à proporção que o perispírito melhor dominar o corpo, quando não for completamente anormalizado desde o nascimento. Um tiro no coração acarretará enfermidade pré-natal desse órgão. Um esmagamento por trem de ferro ocasionará entorpecimento vibratório do perispírito, dado o violento traumatismo que provoca, e, portanto, plenas disposições, no corpo material, para o entorpecimento dos músculos, dos nervos e até da medula espinhal e glândulas cerebrais, em encarnação imediata, e, assim, tendência quiçá irremediável para a paralisia, a demência, o retardamento intelectual etc. Um tiro no ouvido, a surdez, um câncer ou anomalias do aparelhamento cerebral, quando não as
mesmas tendências já citadas, além de uma possível cegueira, pois o cérebro foi afetado pelo suicídio, o cérebro perispiritual ressentiu-se de tais efeitos por meio do próprio sistema de vibrações eletromagnéticas. O envenenamento acarretará enfermidade do aparelho digestivo, alteração do sistema circulatório, dispepsias nervosas etc. E todas essas origens psíquicas, alterando os centros nervosos e o sistema de sensações existentes no cérebro, se ramificam, pelo sistema nervoso, pelo aparelho humano, e vão afetar o órgão correspondente ao que, no perispírito, foi assinalado pelo ato anterior do suicídio. Não esqueceremos aqueles que se matam atirando-se de grandes alturas: esses poderão até mesmo renascer predispostos à loucura e, invariavelmente, serão nervosos, inquietos, terão ataques e serão tidos e havidos como epilépticos, quando suas convulsões e manifestações mórbidas nada mais serão do que vínculos mentais que revivem sensações passadas ao evento de uma contrariedade ou qualquer outro choque emocional. E eis novas doenças mentais vinculadas a problemas espirituais, pois tudo isso, alterando extraordinariamente o sistema nervoso, criou rede de complexos que afetará o bom funcionamento mental, visto que é o perispírito enfermo que está dirigindo um sistema nervoso que, necessariamente, se tornou igualmente enfermo. Muitos de tais pacientes dir-se-iam obsidiados, mas em verdade não o são senão pelos próprios distúrbios conscienciais e emocionais que arrastam de uma existência a outra. E tanto necessitarão de um hábil psiquiatra como da reanimadora assistência do mundo espiritual e até da reeducação moral fornecida pelo Evangelho.

3 – O perispírito, meus amigos, é corpo vivo, passível não só de adoecer-se a mente enferma, mas de refletir também estados conscienciais deploráveis ou sublimes, e os estados conscienciais muito graves poderão ocasionar doenças mentais em um ser encarnado, e convenhamos que tal estado até mesmo se retrata no aspecto fisionômico do indivíduo.

4 – Todos esses casos, influindo no sistema nervoso, afetarão, muitas vezes, o cérebro, uma vez que o primeiro é o veículo natural do perispírito, no estado de encarnação. Daí o fato de os sistemas glandulares do aparelho cerebral humano serem atingidos. Ataques, convulsões, epilepsia, hipocondria, neurastenia e depressões têm origens espirituais e não raro são casos também fundamentados na obsessão, na sugestão hipnótica obsessora (a sugestão hipnótica nada mais é do que obsessão temporária, quando não for positiva) etc. O tratamento psíquico em tais casos será de grande valia, embora não dispense o físico.

5 – Viciando a mente com pensamentos inferiores de qualquer natureza, uma pessoa estará sujeita ao desequilíbrio total e, possivelmente, provocando assédio obsessor dos afins desencarnados. Esses são obsidiados por si próprios ou por outrem, porque o desejam. A cura, nesses casos, mais do que nos demais, dependerá deles próprios, ou seja, da sua renovação moral e mental, da prática do bem, da reeducação total que se impõem, sendo, portanto, tais casos, muito difíceis de serem removidos. Não percamos de vista que o corpo humano é apenas um aparelho delicado, cujas baterias e sistemas condutores de vida são dirigidos pelas forças do perispírito, e este, por sua vez, comandado será pela vontade, isto é, a consciência, a mente.

6 –Acrescentaremos que existem, nos sanatórios para alienados, enfermos considerados incuráveis, e que realmente são recuperáveis. A Psiquiatria diagnosticou o mal de acordo com os estudos da Ciência Oficial, que somente observou os efeitos do mal, sem cogitar da verdadeira causa, que é psíquica. Em verdade, porém, aquele suposto enfermo incurável assim se conservará porque suas forças mediúnicas se encontram ainda em elaboração. Essas forças, ou agentes transmissores, são: eletricidade, magnetismo e fluido vital, as mesmas propriedades, portanto, particulares ao perispírito, que também é força. Para que o efeito mediúnico se realize, principalmente o efeito mediúnico normal, implicando vibrações capazes de se conjugarem com as vibrações excelentes do invisível, cumpre que aquelas propriedades vibrem harmoniosamente entre si e com o sistema nervoso do próprio médium, o que nem sempre acontece. Daí a razão por que Allan Kardec declarou ser a mediunidade faculdade espontânea que não deve ser provocada, e sim nobremente aceita quando naturalmente se apresentar, tampouco devendo sofrer insistência no seu desenvolvimento. A faculdade mediúnica não atinge o grau necessário, à possibilidade do desenvolvimento normal, num ano ou em dez, mas através de etapas reencarnatórias. Pode acontecer que a força trinitária de que se reveste o perispírito, sede da mediunidade, não realize ainda a harmonia do conjunto vibratório, diapasão normal necessário ao feito transmissor mediúnico. Exemplo: o fluido
vital excessivo para o grau delicado do magnetismo, essência transcendente, não permitirá o diapasão harmonioso de vibrações exigido para o equilíbrio da faculdade. Pode acontecer que o grau de eletricidade existente no perispírito constitua força excessiva, que a função mediúnica excitará ainda mais, atingindo as glândulas cerebrais, enfermando-as. Assim sendo, não possuindo ainda o perispírito o necessário equilíbrio de forças para o fenômeno da transmissão mediúnica, nada mais será que um aparelho defeituoso, que tende a se aprimorar com o tempo para as funções normais, onde a mediunidade é das mais importantes. Se, nesse estado, houver contatos magnéticos de um agente exterior (o Espírito comunicante), fenômeno que se poderá realizar à revelia da Doutrina Espírita, dificuldades imensas se apresentarão, as glândulas cerebrais, mal acionadas por aquela força trinitária, não suportarão os choques daí derivados, o cérebro sofrerá comoções importantes e um tipo de demência, pacífica ou violenta, desafiará a cura pelos processos medicinais, mas que o tratamento psíquico sábio, consciencioso, por meio do magnetismo espiritual, poderá remediar. Essa faculdade, contudo, não será desenvolvida, não dará frutos, o paciente será sempre como que anormalizado por causas mórbidas indefiníveis, visto que ainda não existe a sua possibilidade, pois ficai sabendo que o próprio homem ainda não atingiu a plenitude que a Criação dele exige, é um ser ainda inacabado, ainda em elaboração, que apenas estará plenamente criado quando suas faculdades gerais se equilibrarem em funções coordenadas. E não vejais em tais casos a expiação ou o resgate: tratar-se-á apenas de evolução, pois sabe-se que a evolução, de qualquer natureza, não se fará sem grandes choques e comoções. Haja vista o próprio planeta, que penosamente vem evoluindo entre choques milenares, e assim o homem com ele. E, pois, também a mediunidade em elaboração poderá produzir ‘doença mental vinculada a problemas espirituais’, sem que, contudo, tais distúrbios sejam normais ou obrigatórios na evolução de cada um.

7 – Nem todos os casos, porém (de complexos psíquicos), são oriundos da chamada expiação ou do resgate. A criatura encarnada está sujeita também a acidentes variados durante a romagem terrena, num planeta onde forças heterogêneas proliferam. Muitos casos deploráveis que assaltam os homens encarnados poderão ser consequências das suas mesmas displicências do presente ou estarão ligados ao plano de evolução, que impele a Humanidade ao progresso natural, razão pela qual não existirá injustiça nem aberração em casos tais, mas o cumprimento de uma lei, auxílio da Natureza ao paciente. Não podemos, ao demais, esquecer que o homem vive num planeta assaz inferior e que muitos contratempos e distúrbios que aí o levam a sofrer resultam do estado do planeta e dele próprio, que com este evolui. O assunto é complexo e por assim dizer infinito, e não poderemos explaná-lo a contento numa simples crônica.

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